Números
Sonho ser par, capaz de dividir. Escapar da solidão de um e alguma coisa, do compartilhar condicionado a complemento. Quero sobrar.
Sonho ser par, capaz de dividir. Escapar da solidão de um e alguma coisa, do compartilhar condicionado a complemento. Quero sobrar.
Oficialmente, era um tamanduá. O DNA não batia, as proporções estavam todas erradas e a coisa não tinha sequer pelagem, mas alguém carimbou e encerraram o caso. Ninguém se importava, essa era a verdade. A vítima estava morta, o bicho também, não havia porque investigar mais. No fim do dia, foi todo mundo pra casa tomar uma gelada. Poderia ter terminado assim pra mim, infelizmente havia uma diferença entre eles e eu: eu ouvi as palavras.
Ando sumido. \ Ando sumindo, \ Perdido, virando fumaça. \ Ando sobrando, esparramado.
Parecia um dilúvio, mas talvez fosse questão de perspectiva. Já era raro a cidade ver chuva, ainda mais tanta água assim em novembro. Longe do carro, Alberto e Amélia corriam como ratos em busca de abrigo, uma marquise que fosse. A esperança de encontrar algum lugar funcionando no feriado já chegava ao fim quando viram um neon de “aberto” exibindo seu exuberante azul em meio aos pingos. Entraram.
Viu o gato saltar pela janela. Quando o olhar voltou-se ao centro da sala, percebeu o corpo, um dos sapatos a dois passos de distância. Concentrou-se no sapato. Vermelho, salto de alturas vertiginosas, manchado com um outro tom da cor. Ficou ali encarando o calçado, pensando em números. Trinta e oito? Quarenta? Definitivamente quarenta. Mas qual mulher calça quarenta? Perguntou a si mesmo recebendo uma resposta imediata do próprio cérebro: Várias, seu imbecil, agora chame a polícia.
O que você acha que precisa para ser uma potência mundial, parceiro? Se você respondeu “grana” não tá errado, mas tem país por aí entupido de dinheiro e irrelevante na política internacional. Vou te mandar a real, a resposta é “poder de fogo”. Quando você tem a capacidade de varrer uma nação da face da terra sem muito esforço, você tá no jogo. É por isso que, agora, uns setenta por cento do globo fala o idioma brasileiro. Os parças obrigaram até Portugal a adequar as regras gramaticais deles ao nosso idioma.
No último texto abordamos mídias, em especial os dados, que são a mídia usada no Mono, seus efeitos matemáticos e o sentimento que essa matemática gera. Mas decidir por uma mídia é só o início do processo de resolução de conflito. Os resultados gerados ainda podem ser interpretados e aplicados de formas variadas, reforçando ou abrandando as características matemáticas da mídia escolhida. Agora vamos tratar sobre as formas mais comuns de interpretar a informação gerada por uma jogada de dados
No final do texto anterior havia sido comentado que daríamos prosseguimento ao assunto de ferramentas mas, uma vez que a métrica de quantificação das ferramentas é inteiramente dependente da matemática utilizada na resolução geral de conflitos do Mono, consideramos mais oportuno falar primeiro sobre essa matemática para, só então, voltar as ferramentas e a sua quantificação.
Prendeu a fiação na turbina improvisada, um toque na alavanca do pequeno guindaste fez a peça deslizar suavemente para dentro do rio. Um zunido baixo ressoou quando a força da água começou a fazer girar as palhetas. As luzes de potência foram acendendo uma a uma, os ponteiros dos indicadores do painel oscilaram até se fixar na zona verde. Era energia suficiente.
Valeria sentia os olhos do sistema na nuca. Aquela era sua terceira avaliação abaixo da média em menos de um mês, e seu escore geral ameaçava chegar perto do limite mínimo. A perda de mais um décimo acarretaria numa visita compulsória a um Centro de Bem Estar.