Consumido

Me esvaí.
Poderia parar aqui, nessa síntese honesta de todo o resto.
Mas acabarei por elaborar, pelo bem de ninguém.
Para me ocupar um instante,
para me comprar tempo.

O fogo que mora dentro não mora.
Ou melhor,
mudou-se,
partiu e não deixou endereço.
Tudo está morno,
naquela réstia de calor que fica após a brasa apagar.

Depois,
o cinza frio tomará conta.
Vai ficar ali um tudo a mesma coisa,
um resto de restos.
Daquilo que foi,
não restará nada além do sentimento de ter sido.

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